Promotor
Fundação Centro Cultural de Belém
Sinopse
Em 1802, num momento de profundo desespero perante o avanço irreversível da
surdez, Ludwig van Beethoven escreve aos irmãos um texto que permanecerá oculto até
depois da sua morte — o chamado «Testamento de Heiligenstadt». Mais do que uma
despedida, este é uma confissão dilacerante de isolamento, humilhação e resistência.
Contudo, o texto termina com uma convicta resolução moral: continuar a viver «pela
Arte».
O primeiro dos três quartetos Razumovsky, Op.59 nº 1, e o primeiro composto após
este dramático período, surge precisamente nessa circunstância. A monumentalidade
da obra convive com momentos de introspeção dolorosa, como se a tensão
humana revelada no testamento encontrasse aqui um paralelo musical. Ainda assim, no
cerne deste quarteto há uma certa qualidade luminosa e etérea que transmite esperança
e reafirma o desejo de viver. Entre lirismo, heroísmo e inquietação, este quarteto
demonstra a capacidade de Beethoven de transformar crise pessoal em criação artística
de dimensão universal.
Formado por Alexis Hatch, Vicente Sobral, Irma Skenderi e Irene Lima, o Quarteto
Alma Nova surge impelido por esta força criativa do renascimento e do amor à arte de
que Beethoven é um dos exemplos máximos. Com diferentes percursos em papéis de
liderança nas principais orquestras portuguesas, os quatro músicos encontram no
quarteto de cordas um espaço de escuta, vulnerabilidade e reinvenção artística.
Ficha Artística
Comentários Pedro Wallenstein
Quarteto Alma Nova
Primeiro Violino Alexis Hatch
Segundo Violino Vicente Sobral
Viola Irma Skenderi
Violoncelo Irene Lima
Programa / Cartaz
Ludwig van Beethoven (1770—1827) Quarteto Razumovsky n.º 1, Op. 59
I. Allegro
II. Allegretto vivace e sempre scherzando
III. Adagio molto e mesto
IV. Thème Russe. Allegro
Preços